Pluralidade | 14 setembro, 2021
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Uma coisa é fato: a língua portuguesa é excludente com relação a gênero. O masculino é sempre prioridade na norma culta. Quer um exemplo? Se em uma mesa estiverem nove mulheres e um homem, a regra fala que se formos nos referir a eles, teremos que usar o masculino.

“Tá, mas isso é fácil de resolver, podemos flexionar pronomes, artigos, substantivos e adjetivos para os dois gêneros, tipo, alunas e alunos, deles e delas, senhoras e senhores”, você pode estar pensando. Sim, essa solução ajuda, mas não resolve o nosso problema. A questão é que existem muitas pessoas não binárias, portanto, ainda assim, a nossa comunicação não seria inclusiva.

Na busca, genuína, diga-se de passagem, de estabelecer uma linguagem neutra, passamos a usar o x ou o @ ou substituímos o a e o por e. Quem nunca leu algum texto falando: amigxs, amig@s ou amigues? Porém, isso também não resolve a situação, já que os leitores para pessoas com deficiência visual ou auditiva não reconhecem esses caracteres, fora que é bem difícil o entendimento para quem está em fase de alfabetização ou para quem tem dislexia. E se formos para a leitura oral, imagine que problema! Algumas palavras são impossíveis de se pronunciar.

Agora, estou pensando no nó que posso estar dando na sua cabeça. Relaxa. Deu na minha também. E eu ainda não achei a construção perfeita, mas encontrei alguns caminhos que quero compartilhar com vocês. Vamos lá?

1- Quando formos formular uma frase e precisarmos identificar o sujeito, podemos usar pessoas. Vou te mostrar:

“Procuramos um desenvolvedor front end”. Dá pra solucionar usando: “Procuramos pessoa desenvolvedora front end”.

2- Sempre que possível, podemos dar preferência para construções neutras, quer ver?

“Os estudantes são focados na aula”. Que tal substituir por: “Estudantes têm foco na aula”. 

3- Podemos usar pronomes indefinidos, sempre que possível, veja:

“Esse texto é da Tânia”. Podemos usar: “Esse texto é de Tânia”.

4- Muitas vezes, com uma alteração simples, já resolvemos a questão da obrigatoriedade de o substantivo estar no masculino. Veja um exemplo:

Quem é o autor desse texto?” Podemos substituir por: “Quem escreveu esse texto?”

5- Um outro hábito frequente é a gente colocar artigo sem necessidade. Olha só:

“Os professores lançaram as notas.” Que tal se você escrever: “Docentes lançaram notas”

6- Como eu falei no começo, a gramática fala que se tiver pelo menos um homem no grupo, os subjetivos vão para o masculino, certo? Mas tenho um macete que pode ajudar. Confira:

“Os diretores convocaram todos os líderes para uma reunião”. Podemos alterar para: “A diretoria convocou a liderança para uma reunião”.

 

Bom, esses são alguns recursos que podem ser usados para tornar a nossa escrita menos binária. É um exercício diário e nem sempre será possível manter a linguagem neutra de gênero. Neste caso, precisamos mesmo de sucumbir à forma gramatical correta. Mas, sempre que der, faça essas substituições. Dá mais trabalho, porém, iremos produzir um texto com muito mais inclusão.

Ah! Um último macete: redija o texto inteiro da forma como está no seu hábito, depois releia com esse olhar, aí veja onde tem como substituir ou adequar. 🙂

Tânia Chaves, 2020.